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FÉRIAS
Mês de julho,
férias. Menos trânsito, crianças em acampamentos, praias,
interior, mas longe. A mulher dele tinha tirado quinze dias e foi pra
fazenda com as crianças. A questão era somente: "na sua
ou na minha casa?"
Ele queria na casa dele, queria trepar de frente pro mega espelho da mulher,
topei e acabei ficando por lá uma semana. Casa arrumada, os melhores
imãs de
geladeira que já vi, revistas de moda, perfume de cor vermelha, não
gosto,
muito doce, então não usei. Falavam-se todos os dias no telefone,
deitada no
peito dele eu podia ouvir as vozes das crianças. Ele ficava emocionado
de
saudades e eu fazendo caracóis nos pêlos das suas coxas. Uma
semana com um
cliente me rendia uma boa grana. Enquanto ele trabalhava eu ia pro meu flat
escrever a monografia pra faculdade e chegava na casa dele um pouco antes
da
hora do jantar. Comida comprada no supermercado, o importante era só
satisfazer o desejo do cara, esperar e servir nua de aventalzinho. Ele quis
se justificar, como boa puta escutei, e ele contou a falta que sentia de
sexo anal e que desconfiava que ela tinha um amante, bimba!, o melhor amigo.
A mesma novela de sempre, a tal mesmice, medo de ser corno e não dar
o
troco. Vi fotos da esposa, quarentona sisuda, simples, de braços cruzados
na
foto, mas doçura no olhar. Tenho 25 anos e três horas de academia
por dia,
sacou a diferença? Na quinta - feira choveu e resolvi passar a tarde
na
casa, usar a banheira, descansar. A noite anterior tinha sido dura, frente
pro espelho e o cara tinha vergonha de olhar, ficava de olhos fechados, mas
insistia em fazer ali. Eu cantei a sinfonia toda dos `ais´ e ele dormiu
feliz. Enquanto me secava ouvi passos, enrolei a toalha, devia ser ele
querendo fazer surpresa. Entrei no quarto e dei de cara com uma loira de
quase um metro e noventa, uma beleza. "Vim buscar o vibrador e já
estou de
saída, três horas até a fazenda, sou a babá das
crianças." Ela sorriu e saiu
depois de me olhar cheia de cumplicidade. Olhei o tamanho do espelho, o doce
olhar da esposa na foto no criado mudo, e sorri de inveja.