23/10/2000
Munição
Meu adorado justiceiro, tcha,tcha,tcha ! Já que morreu e a muta não muda, vai morrer também ? Cansei de divulgação. Lê, recebe, nem vou perguntar , esquece. Vamos brincar de homem invisível ?! Com os papos fiz histórias, absurdas e, meu cunhado francês não entende, muita gente não entende, mas eu sei de cor. Casadoira ,
é ?Maridos, ocuparam anos de vida. Foi bom, por isso, eu moro com o homem invisível e a isabela rossellini. Quase não fala , silenciosa, e ouvimos a música da pantera cor de rosa. Quando vão morrer ? Dei cano e abandonei todo mundo, tô pior que zé mané. Minha mana tá fazendo arte cobrindo as tetas e eu ninguém mais tem.
Só histórias.
megera
Dj regis fita sophistication (recomendadíssima) country wine (não recomendo)
Findi filmes o sétimo selo (bergman) beleza americana (sam mendes)
Na cozinha
Cabelos curtos. Calça cargo, aquela cheia de bolsos laterais, ótima de prática tudo vai nos bolsos bege. Bota tênis reebock modelo infantil porque é mais leve. Casaco adidas marinho, rulê royal. Branca , pele branca. Calcinha de algodão, sem sutiã, porque são leves.
Companhia da mãe, na cozinha, baixou o astral co zi nha . Amo o bicho do mato. Um egocêntrico, cínico, que tem cheiro de bebê e, bebe feito um porco. Grita tanto que eu jogo coisas fora. Não deixava ele entrar e ele lá esmurrando a porta. Louco, feito louco. Um velho de roupas de moleque, conta gotas que, me deixa loca ! Me prega peças com suas fantasias e pra ele, meu nome, é guria. Mando meu desenho de flores, pra que seja primavera, contou a cena que eu mais gosto na sua novela. Machista, feminista, me põe no colo pra que eu diga pai. Fica comigo todo dia só pra me fazer segura e, não me pede nada, só liberdade. De banho tomado, dou, espero e necessito.
(megera)
Carta aos Reitores das Universidades Européias
Antonin Artaud (1924-1927)
Senhores Reitores,
Na estreita cisterna que os Srs. Chamam de "Pensamento", os raios
espirituais apodrecem como palha.
Chega de jogos da linguagem, de artifícios da sintaxe, de prestidigitações
com fórmulas, agora é preciso encontrar a grande Lei do coração,
a Lei que não seja uma lei, uma prisão, mas um guia para o Espírito
perdido no seu próprio labirinto. Além daquilo que a ciência
jamais conseguirá alcançar, lá onde os feixes da razão
se partem contra as nuvens, existe esse labirinto, núcleo central para
o qual convergem todas as forças do ser, as nervuras últimas
do Espírito. Nesse dédalo de muralhas móveis e sempre
removidas, for a de todas as formas conhecidas do pensamento, nosso Espírito
se agira, espreitando seus movimentos mais secretos e espontâneos, aqueles
com um caráter de revelação, essa ária vinda de
longe, caída do céu.
Mas a raça dos profetas extinguiu-se. A Europa cristaliza-se, mumifica-se
lentamente sob as ataduras das suas fronteiras, das susas fábricas,
dos seus tribunais, das suas universidades. O Espírito congelado racha
entre lâminas minerais que se estreitam ao seu redor. A culpa é
dos vossos sistemas embolorados, vossa lógica de 2 e 2 fazem 4; a culpa
é vossa. Reitores presos no laço dos silogismos. Os Srs. Fabricam
engenheiros, magistrados, médicos aos quais escapam os verdadeiros
mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser, falsos sábios,
cegos para o além-terra, filósofos com a pretensão de
reconstituir o Espírito. O menor ato de criação espontânea
é um mundo mais complexo e revelador que qualquer metafísica.
Deixem-nos pois, os Senhores nada mais são que usurpadores. Com que
direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito!
Os Senhores nada sabem do Espírito, ignoram suas ramificações
mais ocultas e essenciais, essas pegadas fósseis tão próximas
das nossas próprias origens, rastros que às vezes conseguimos
reconstituir sobre as mais obscuras jazidas dos nossos cérebros.
Em nome da vossa própria lógica, vos dizemos a vida fede, Senhores.
Olhem para seus rostos, considerem seus produtos. Pelo crivo dos vossos diplomas
passa uma juventude abatida, perdida. Os senhores são a chaga do mundo
e tanto melhor para o mundo, mas que ele se acredite um pouco menos à
frente da humanidade.
Texto extraído do livro "Escritos de Antonin Artaud" da Coleção
Rebeldes e Malditos.
O mundo gira, ainda bem !