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Amor

Lá vou eu de novo falar de amor. Tudo começou por amor, cartas de amor e uma cabeça de cor. Fiz as malas e fui. Levei Camus comigo, o estrangeiro, pois ele me faz contemplar a cada página. Sabia que ia sofrer, e contemplar paisagens me acalma.

Meu amor é o papel. Vem pedir pra você ver ? Num dou, mas deixo você colocar seus sentimentos nele. Deixo, ouço e conto o que você sente. Ah, que saudades... Pior é saber o quanto amo e sinto falta. Estou explorando meus sentidos, todos, porque plural é soma, mas o meu canto é a minha alma. Um paradoxo, pois sou silenciosa, mas é desse silêncio que vem toda a minha fala. Uma fala sem razão nem porquê. Fala que vem do nada, fala criada, fala rasgada, fala amada. Fala que vem desesperada e sem hora marcada. Fala que pensa nas noites de insônia. Joga xadrez como ninguém. Minha partida perdida, mas sem tal jogo sou tão sem vida. Um sonho infantil. Ouvi minha voz em imagem, não é de menina, é pausada, calma, de quem, se fala, é nada.

Dani

issos

(por dower / 05.11.00)

lá na fonte seca do cerrado

o corvo veio me dizer sobre nós

pintou o ambiente de negro

e nos transportou pelo galáctico

esferas duras e pontudas

cheiros de vida e morte (na certa!)

santos de loucos sãos

todos(as) lá, lá

e, crianças loi(u)ras assim

gritos e risonhos

surtos e sonhos, sentimentos

vãos e críveis de sim

senhora veio me dizer:

"- Quando tu voltas, aprende a iniciar.

Quando tu cheiras, termina em se maltratar!

Acredites em nós outra vez.."

algo assim, quase assim

que me abismou, me espantou em tal tamanho

que nem louças, quiçá lagostas

poderam explicar.

Lá, lá estava eu. Desregrado na regra.

No vazio completo, entendi tudo.

Mas continuo a negar

a me negar

0, foi o que vi, zero.

O corvo apontou, nos distransportou

cá eu estou, não mais lá.

( erickdower@hotmail.com )

 

 

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